CASA D’PRETO ESTREIA NA 10ª EDIÇÃO DA SEMANA CRIATIVA DE TIRADENTES E OCUPA O SOBRADO RAMALHO, SEDE DO IPHAN

CASA D’PRETO ESTREIA NA 10ª EDIÇÃO DA SEMANA CRIATIVA DE TIRADENTES E OCUPA O SOBRADO RAMALHO, SEDE DO IPHAN

Estreante no festival como curadores Pedro Rubens e Heloisa Nascimento, ocupam o Sobrado Ramalho com exposição, encontros e ações que aproximam arquitetura, arte, ancestralidade e patrimônio

A Semana Criativa de Tiradentes chega à sua 10ª edição entre 15 e 18 de outubro, em Minas Gerais, reafirmando a vocação de ocupar a cidade histórica com diferentes expressões da cultura brasileira. Em uma década, o evento deixou de estar restrito ao encontro entre design e artesanato e passou a reunir arquitetura, arte, moda, gastronomia, música, sustentabilidade e preservação do patrimônio. Para a edição comemorativa, uma das principais novidades é a estreia da Casa D’Preto, que ocupa pela primeira vez o Sobrado Ramalho, edifício-sede do IPHAN em Tiradentes. 

 

Realizada pela rede Arquitetura D’Preto (@arquiteturadpreto), a ocupação propõe colocar no centro da programação saberes, tecnologias e expressões da cultura afro-brasileira. Sob curadoria dos arquitetos Pedro Rubens e Heloisa Nascimento, o projeto transforma o casarão histórico em um espaço de encontros, exposições e experiências que atravessam arquitetura, arte, música, dança, gastronomia e memória. A programação acontece ao longo dos quatro dias do festival e inclui ainda o I Encontro Nacional do HUB Arquitetura D’Preto, o lançamento de uma plataforma voltada a profissionais negros da construção civil, uma coleção de luminárias e a exibição do documentário A Casa D’Preto.

A conceituação de toda a Casa parte de EBAN, símbolo Adinkra dos povos Akan associado à cerca, ao abrigo, ao amor, à segurança e à proteção. Mais do que uma referência visual, EBAN funciona como princípio espacial, afetivo e político da ocupação. A ideia de cerca, aqui, não aparece como aquilo que separa ou exclui, mas como o contorno capaz de resguardar a vida, acolher, criar vínculos e permitir permanência. É a partir desse princípio que A Casa D’Preto se constrói como uma casa-território: um lugar onde memória, ancestralidade, criação, cuidado e comunidade possam coexistir.

Esse conceito atravessa tanto a expografia quanto a programação, orientando a maneira como o público entra, percorre, encontra e permanece na Casa. Ao longo dos quatro dias do festival, o espaço recebe ainda o I Encontro Nacional do HUB Arquitetura D’Preto, o lançamento de uma plataforma voltada a profissionais negros da construção civil, uma coleção de luminárias e a exibição do documentário A Casa D’Preto. 

 

A escolha do endereço é parte importante da proposta. Construído no século XVIII, o Sobrado Ramalho carrega as marcas da formação histórica de Tiradentes e passa a ser tensionado pela nova ocupação a partir de outras narrativas sobre patrimônio. Em vez de tratar a arquitetura apenas como objeto preservado, A Casa D’Preto propõe ampliar a compreensão sobre o que também constitui um patrimônio: conhecimentos, técnicas, oralidade, memória, modos de fazer e formas de construir comunidade.

 

“Participar da celebração dos dez anos da Semana Criativa de Tiradentes e ocupar o Sobrado Ramalho com A Casa D’Preto é ampliar a ideia do que é patrimônio. É colocar dentro de um espaço totalmente institucional saberes que não deixaram de existir, mas que nem sempre foram reconhecidos como parte fundamental daquilo que constitui e construiu o Brasil. O patrimônio não é só uma parede, não é só um mobiliário, não é só uma arquitetura – é também o conhecimento, a oralidade, o gesto, a técnica, a memória, os modos de fazer, de cuidar e de construir uma comunidade”, defende Heloisa Nascimento, vice-presidenta do HUB Arquitetura D’Preto.

A proposta se materializa na própria organização do casarão. A entrada funciona como uma espécie de portal de transição; a sala de exposição recebe Orí-gem; o Terreiro Mineiro concentra conversas e momentos de troca; e a antiga senzala, anteriormente reduzida a depósito, é reativada como altar, em um gesto de reverência aos ancestrais. A expografia é assinada por Pedro Rubens, Heloisa Nascimento, Alexandre Sales e pela estudante de arquitetura Giovana Teixeira.

Leia também